Empreendedorismo feminino no Brasil: por que ainda estamos falhando?

Como é possível que mais de 10 milhões de mulheres empreendedoras no Brasil ainda enfrentem tantas barreiras para prosperar? Essa é uma pergunta que tenho feito — e ouvido — em muitas das minhas mentorias com empresárias e líderes. Mulheres inteligentes, dedicadas e resilientes, que trabalham forte, mas que ainda se deparam com um sistema que parece insistir em não lhes dar as mesmas oportunidades.


O retrato em números

Uma matéria recente da Agência Brasil (2025), divulgados durante a conferência “Mulheres no centro: democracia econômica, empreendedorismo e direitos” realizada em Brasília em 11 de agosto:

  • São mais de 10 milhões de mulheres empreendedoras no país.
  • 70% delas são mães.
  • faturamento médio mensal é de R$ 2 mil.
  • Apesar de serem, em muitos casos, melhores pagadoras que os homens, continuam enfrentando dificuldades de acesso a crédito.
  • Muitas empreendem por necessidade, e não por oportunidade — o que reforça ainda mais a desigualdade.

Fonte: Agência Brasil


O que observo nas minhas mentorias

Esses números ganham vida quando comparo com os relatos que escuto:

  • Empreendedoras com negócios promissores, mas que travam no momento de expandir por não terem acesso a linhas de crédito adequadas.
  • Mulheres que, mesmo com histórico impecável de pagamento, são vistas pelo sistema bancário como “alto risco”.
  • Empresárias que dividem o tempo entre maternidade, dupla jornada de trabalho e gestão de seus negócios, sem políticas públicas ou programas de capacitação que considerem essa realidade.

Demandas urgentes

As próprias empreendedoras já apontam caminhos:

  1. Crédito inclusivo — menos burocracia e critérios que reflitam a realidade das empreendedoras, com apoio de fintechs e bancos comunitários.
  2. Capacitação acessível e prática — mentorias e programas que considerem a limitação de tempo e recursos dessas mulheres.
  3. Políticas interseccionais — inclusão real de mulheres negras, indígenas, mães solo, com deficiência e das periferias.

Reflexão

Se tantas mulheres empreendem por necessidade, mas não têm acesso a crédito, capacitação e apoio estruturado, o que estamos construindo? Será que o empreendedorismo feminino no Brasil está sendo tratado como sobrevivência, quando deveria ser protagonismo?


Concluindo

Como mentor, tenho visto o talento e a coragem dessas mulheres diariamente. Mas talento sem apoio institucional vira resistência solitária — e isso não é justo.

O desafio está lançado: que passos concretos nós — empresários, líderes e formuladores de políticas — estamos prontos para dar, já, para que o empreendedorismo feminino se torne protagonismo?

Quero muito ouvir sua opinião nos comentários. Essa conversa precisa sair das pesquisas e virar prática.

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